Introdução

Vivemos numa sociedade precária onde o medo de viver livremente, espreita a cada esquina, uma sociedade em que os valores morais deixaram de ter qualquer valor e que tudo é lícito aos olhos de quem vive dentro dela!

As noticias mostram uma realidade abusiva, sendo ela excessiva ou completamente permissiva, do poder paternal, sem qualquer equilíbrio mental, permitindo a facilidade do acesso a tudo que é e o que não é legal.

Acompanho crianças que vivem abandonadas numa casa cheia de gente! Lares em que a falta de instrução, falta de amor, falta de compreensão, falta de trabalho parental, ultrapassa todo e qualquer entendimento, casas em que as crianças vivem numa constante ansiedade, lares em que o entendimento parental é egoísta, instável, sem nenhum tipo de bom senso!

Viver no meio de todas estas coisas, deixa qualquer criança mentalmente desequilibrada, insegura, prisioneira de um sentimento que a constrange face a qualquer obstáculo.

Ansiedade

A ansiedade é uma condição emocional que influencia o individuo na tomada de decisões, nas reações face à impossibilidade momentânea de reagir perante qualquer situação. É uma emoção gerada pela antecipação de um perigo vago, de difícil previsão e controlo. Transforma-se em medoface a um perigo bem identificado.

Faz-se acompanhar por modificações fisiológicas e hormonais características dos estados de ativação elevada e muitas vezes, associada ao comportamento de conservação-retirada ou a condutas de evitamento.

A maioria das pessoas experimenta uma certa quantidade de ansiedade preocupação ou medo, em diversos momentos da sua vida, como antes de um exame muito importante, de um primeiro encontro ou de uma entrevista de emprego. Trata-se de uma característica normal da vida dos indivíduos e tem sido cada vez mais reconhecido o valor positivo e adaptativo da ansiedade.

Contudo, para muitas crianças e adolescentes, a preocupação e ansiedade são persistentes e apresentam um grau de intensidade muito elevado, podendo interferir e afetar negativamente a sua vida quotidiana.

A ansiedade não é uma doença, no sentido em que não se pode constituir por si só como um diagnóstico. O medo é uma emoção adaptativa, que funciona como um estímulo e tem um efeito protetor.

É normal sentirmo-nos ansiosos perante um novo desafio, é essa ansiedade que nos torna mais alerta para avaliar a “ameaça” e conseguir agir rapidamente.

É esse sentimento que nos faz ultrapassar um obstáculo, procurar a solução, que nos torna mais atentos, ou que motiva a recusa de uma situação potencialmente perigosa.

É quando esse medo se instala, exacerbado, prolongando-se muito além do que seria normal para cumprir essa função adaptativa, que surgem diferentes tipos de problemas, as denominadas perturbações de ansiedade.

Perturbações Ansiedade

Algumas patologias associadas às perturbações de ansiedade:

  • FOBIAS OU MEDOS
  • CRISES DE ANGÚSTIA
  • ATAQUES DE PÂNICO
  • MANIFESTAÇÕES OBESSICIVAS-COMPULSIVAS
  • ANSIEDADE PÓS-TRAUMÁTICA

Sinais de alerta

Existe um conjunto de sintomas que revelam uma possível perturbação de ansiedade.

Os quadros variam muito de individuo para individuo, mas há algumas queixas comuns que podem ser consideradas sinais de alerta:

  • Preocupações ou medos exagerados ou desadequados relativamente ao nível de desenvolvimento da criança.

A ansiedade desempenha um papel adaptativo no desenvolvimento da criança. Pode, no entanto, considerar-se patológica quando:

  • Muito intensa e prolongada.
  • Muito invasiva, interferindo com o desenvolvimento e quotidiano da criança (capacidade de socialização, autonomia, etc.).
  • Surgem tardiamente sintomas considerados normais em estádios mais precoces do desenvolvimento (por exemplo: a ansiedade de separação que é normal aos 2-3 anos, mas não aos 8-10 anos).

Os sintomas mais frequentes incluem os seguintes sinais:

  • Queixas somáticas ou corporais;
  • Medo da separação, comportamentos regressivos / imaturos, irritabilidade;
  • Grande suscetibilidade às críticas, comportamentos obsessivos ou fóbicos;
  • Muita resistência à frustração.

Fatores de risco

Existem fatores de risco que se evidenciam no desenvolvimento da ansiedade, sendo estes:

  • Fatores genéticos e constitucionais;

Fatores familiares (ex: pais hiperprotetores e ansiosos, patologia psiquiátrica nos pais, padrão de agregação familiar);

  • Fatores de stress / mudanças no meio familiar (Ex: divórcio, morte);
  • Acontecimentos desencadeantes específicos;
  • Situações de doença crónica na criança/adolescente ou familiar próximo.

Papel parental

O papel dos pais e outros cuidadores na diminuição da ansiedade infantil, é de extrema importância para a criança. Estes devem estar sempre atentos a todos os comportamentos fora do que é esperado para a faixa etária da criança ou adolescente.

Assim sendo, os cuidadores têm o dever de:

  • Aconselhar os pais a tranquilizar a criança, mas mantendo uma atitude firme e segura;
  • Incentivar a criança a encontrar soluções para enfrentar a situação problemática;
  • Não evitar excessivamente as situações que causam ansiedade, sem, no entanto, forçar a criança para além da sua capacidade de adaptação.

Desta forma, na maioria dos casos verifica-se uma melhoria, mas mantém-se frequentemente a tendência para manifestar perturbações emocionais ao longo do desenvolvimento, podendo necessitar de suporte em situações de maior tensão.

Conclusão

Podemos pensar que ao longo de todo o desenvolvimento da criança, os pais deveriam funcionar como uma muralha protetora, um forte impenetrante, capaz de a proteger de toda a lança vinda de fora. No entanto em todos os pais e cuidadores, existem brechas que dificultam a proteção e, permitindo, desta forma que a criança tenha acesso a uma realidade incapaz de a proteger totalmente.

A titulo final, gostaria de deixar umas breves palavras a todos os pais e cuidadores que vivem sobressaltados com esta problemática dentro do seu agregado familiar. É importante estarem atentos a tudo que está a ser realizado pelas vossas crianças, monitorizarem o mais de perto possível as relações com os pares, com os professores e até mesmo com outros familiares, conversarem regularmente com os vossos filhos, mostrem-se interessados em todas as tarefas que eles realizam e acima de tudo é importante dar-lhes atenção, amor, carinho e compreensão.

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